passeio dentro de ti

nesta cidade, muito guarda-segredos e cantinhos rarefeitos. inacessíveis. na pele colada de balões e bailarinas..
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[quando]
apagaste a luz
senti incêndios nos dedos
a desenhar abrigos na
parede
dos corpos
nossos
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everybody wants to be
amazing
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dressed like blue
to be forgotten..
keep the conversations boring
stay with me among the strangers
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take the quick way out
fly into the ocean
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i wanna be alone

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bom diaaaa..aa
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à l'air libre les oiseaux ont eux aussi le vertige
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tanta coisa
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i'll drown
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espero-te lá. no lado vermelho da paragem. baton escrito nos dedos.
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your house is my world
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..licorice tattoo
he's a juvenile delinquent
never learned how to behave
she says i'm a sucker for a fella
in a cowboy hat
 how far are you going
he said
depends on what you mean
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and with her knees up on the glove compartment
she took out her barrettes and her hair spilled out
and she popped her gum and arched her back
they say that dreams are growing wild
and i'm jumping my parole just like a fugitive tonight
and the spider web crack and the mustang screamed
smoke from the tyres and the twisted machine
just a nickel's worth of dreams and every wishbone that they saved
lies swindled from them on the way to burma shave
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+..+..+
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"estou no café. em baixo de tua casa. estou a olhar para a mesa onde estivemos. acho que ainda lá estamos. senão tu estavas aqui. não sei porque te escrevo. se calhar é pela impossibilidade de te calar. o teu telefone está constantemente ocupado. vou parar. desculpa."
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lindo
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+
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--
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correr. correr. neblina de sódio. sal nos lábios. ou nos olhos. ou dentro. muito de sorriso fundo. inexplicáveis segundos de magia que fogem. e por isso uma saudade a acontecer. sofá, contornos no ar. pontas de verniz em danças lentas. abraço. fecha os olhos agora.. [é assim, não é?]..shh..
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amputar os braços e pernas, repelir o coração. escondo-me debaixo da luz, nas páginas de um livro carcomido enquanto tiro notas das palavras que me interessam. não temo a ausência, só a presença, dos pequenos gestos no canto da boca, das irritações cutâneas, dos cabelos enrolados nos dedos. de ti, figura de mitos
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[fotografia, texto e música de nuno almeida http://projecto-cellophane.blogspot.com/]
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(bigada* beijinho)



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the rivers that run beneath this city
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there's something in your eyes
like there's a molotov inside
coming out to get you
and you dive, you dive, you dive
you hide
hold the truth in your arms
we’re hauling land through the air
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our hearts have been misplaced in a secret location
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there's a sailor who sings
of the dreams that he brings
from the wide open sea
and he cries and he drinks and he drinks
and he drinks to the whores of amsterdam
who've given their bodies
to a thousand other men
for a few dirty coins
and they dance
and they laugh and they lust
till the rancid sound of the accordion
bursts
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and they dream and they sleep
while the river bank weeps
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tirar letras das indecisões como quem corta luvas de latex.
depois, suturar fundo na intraderme
para não deixar visíveis as cicatrizes abertas.
coração apertado.
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you’re always under a falling piano
always trailing some shady shark
you never raise your gaze,
look head-on
so fixed on what happens when
pushing the red button
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it’s all up to you now.
just pull a hero from the heat.
we’re all wolves chasing a cat
if i could just get my hands on
you
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acorda, meu amor
devolvermo-nos ao mundo
luz bonita..
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give me that slow knowing smile
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there are angels knocking at your door
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did you pray? did you pray?she's asking
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bonito
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"se o coração estivesse alojado no coração, 
talvez fosse inteiramente verdade que 
o coração não se decide."
mas não é bem assim, pois não?
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[pedro jordão, http://lonelyhunters.blogspot.com/]
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colar sonhos de algodão doce
nos lábios
.. dedos a saber a groselha
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come on little stranger..
..won't you?

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.....
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you don't know how it feels
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+
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tangled up in blue
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a while ago somewhere
i was watching
a movie. i fell in love
with the actress.
she was playing a part
that i could understand.
you gotta be "part of"
it's hard to make that change
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hoje. porque faz todo o sentido. 
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amo, adoro, idolatro, devoto-me, emociono-me, extasio-me, anulo-me, guardo-me, cuido-me. dois bilhetes e um lugar vazio. é assim ela. réplicas, tréplicas que nem sei se goste ou se sofra. digo-lhe que vou tentar ser gente. e peço-lhe desculpa. ‘não prometas’. e diz-me muito. que também me gosta. e o que escreve espanca-me. lembra-se sempre do que sonha  e sonha todos os dias. e eu, do fundo da vigília e da insónia tento. tento tudo. tento dizer-lhe que só quero viver. essencialmente. dormirmos; fazermos amor; almoçarmos; acordarmos juntos; jantarmos juntos; tu cozinhas; eu cozinho; conversarmos; eu converso; tu conversas; vermos os filmes um do outro; pararmos; fazermos amor. dizem-lhe que parece uma bailarina. e eu digo-lhe que daquela gruta por vezes sai música. é só a água. são só os nossos ouvidos. mas por vezes ouve-se. e faço acordes para a dança dela. de saudade igual e a procurá-la. num sítio. na nossa cidade. numa travessa em que cedo é feita mulher. onde os corpos escorreguem líquidos pelas paredes frias de inverno. e acendam incêndios sempre que fizermos amor. na ficção de um dream recall, vêm-nos imagens de um drive-in dos 50’s e do fundo do negro absoluto do poço fazemos juras de verdade. e escrevemos nos vidros embaciados um azul sem fim. apaixonados, a fazer contraditórios, não nos queremos devolver ao mundo, a ninguém. é aqui que ela me diz…e é aqui que lhe digo ‘não digas’. shhh...porque há uma lista de coisas que provavelmente acontecem quando duas pessoas se apaixonam e eu, vou riscando os itens dessa lista, um após outro. shhh… deixo-te ir, agora. vai.
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a inocência é bonita e a infância é bonita e as duas morrem ao mesmo tempo.
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[pedro jordão, http://lonelyhunters.blogspot.com]
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shhh...
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+........+
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..it's by the sea we'll breed
into the sea we'll bleed..
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i'm gonna try hard this time not to touch the ground

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as palavras são andaimes
para desoxidar
o corpo -
anfiteatro desmedido
de uma criança.
pela febre ou pelo vazio
hoje procuro acordes
para descolorir a garganta,
imprimir a boca no aço da cidade.
havia árvores e inclinações de bichos
tigres de papel
minúsculas pegadas a digitalizar a lua.
arrumo os lugares da mesa
transgrido os objectos.
depois acendo de novo as marionetas
guardando nos bolsos astrolábios de silêncio.
a loucura tem escamas
disse-me
na impaciência das cores -
não fujas.
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fecho o rosto, o das muitas janelas
abro os braços ou um quase
pulmão sem música
e perco-me no festim dos anjos
exaustos
mergulhados numa poça de sangue
a coagular luas.
valsa de terrível intimidade
embriaguez em fósforo.
as bonecas sobreviveram.
os gatos morreram noutros gatos.
o limoeiro engrossou os sonhos
e o pássaro agradeceu-me
esta casa sem lâmpadas de sal.
e o duende continua lá,
no comboio dos nossos nomes
a viajar.. ao longe, sempre
porque,
há palavras que não sei dizer por dentro
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[a impaciência das cores&dicionário das insignificâncias de joão rios (adapt.)]
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há poucas coisas em que posso dizer só porque sim.
e é tão bonito ..
*
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foi assim ela.
pelo traço possível.
tudo isto de outra maneira
algumas vezes um sorriso uma fotografia
ou uma espécie de noite de chuva.
eu a imaginar ter-te no colo
quando as estrelas voam à altura das abelhas
no baixar bom dos olhos
até fingir
sei que os anjos são ilhas mágicas
onde invento outros cavalos para os pulsos.
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no barulho do comboio
com a minha camisola preferida
[podes vesti-la.. sim]
uma rapariga come cerejas.
eu como bolachas rente à janela.
luzes centímetros medos
fendas pássaros frágeis
a correr nas mãos
[asas azuis]
depois anoitece na televisão o rapaz do filme
a sombra da rapariga continua a comer
a sombra das cerejas.
não sei se esse é mesmo o teu papel
mas juro que vou deixar ficar as nuvens
embrulhadas em papel de chocolate.
prometo..
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[o preço das casas_joaquim cardoso dias (adapt.)]
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desenho a tua boca
com a minha mão
na tua cara.
por um acaso que não procuro compreender,
coincide exactamente com a tua boca,
que sorri
por baixo da que a minha mão te desenha.
toco a tua boca.
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[jogo do mundo_julio cortazár]
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a estranheza do dia
agigantou
os dedos
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as sabrinas
recusaram o voo
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she swallows bullets and stones
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absence of anything
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abducted this morning
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para a mar.
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tell me what to swallow
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childrenkin canhõ papion filien menin criante chico criança enfant child kind fëmijë الطفل երեխա uşaq umea дзіцяці дете nen 孩子 dijete dítě barn laps bata lapsi neno ბავშვი παιδί timoun הילד बच्चे gyermek barnið anak leanbh bambino 子 어린이 puer bērnu vaikas tfal dziecko copil ребенка otrok niño mtoto เด็ก çocuk بچے trẻ em plentyn קינד 
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e tocar-te na surdez insensatez  do mundo 
                                                                                                                                              queria muito estar naquele barquinho
feito de luz
ou de imensidão
ou da nudez dos corpos

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- onde estás?
- debaixo de água, à procura de caixas de música.
- vens?
- hoje não.
         estão a tocar muito muito longe.
+
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promenade des schizophrènes volto aqui.

e odeio-te sempre que nos diluímos.
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acho que não percebes.
embora digas que sim.
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a little boy 
follows a butterfly
and ends up 
finding 
a beautiful bike
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noite. uma sala pequena.no meio, à mesa, debaixo da luz, estão sentadas duas crianças em frente uma da outra, inclinadas a contragosto sobre os seus livros. estão ambas longe- longe. os livros escondem os seus voos. de vez em quando chamam-se, para não se perderem na longínqua floresta dos seus sonhos. experimentam, na exígua sala, destinos fantásticos e coloridos. lutam e vencem. regressam a casa e casam.
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[rainer maria rilke_notas sobre a melodia das coisas]

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29 de abril
há dias que ficam tatuados na pele.
palavra dos impossíveis.
beijo

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drowning my thoughts
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fumo um cigarro nu a teu lado, cabelo em desalinho, corpo amarrotado, lençóis pisados ao fundo da cama, peças de roupa espalhadas no chão, fome alucinada que tudo devorou. não quero partir, não quero ficar, tão pouco tenho pressa de o perguntar. estou bem onde estou, junto do teu corpo, copos manchados de cuspo e dedadas. tinha-te dito à chegada, enquanto te enchia o copo: separa-nos uma e um quarto de luís pato (unidade de medida astronómica). à nossa. disse-te e batemos os copos. digo-te agora: separa-nos cada passo de cada dia percorrido (unidade de medida terrestre). o caminho a todo o comprimento e largura. máscaras, disfarces, medo, meias palavras. para quê vestir-me?
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[jorge roque & guilherme faria_uma e um quarto de luis pato in broto sofro]
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 borboletas na barriga
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escuta o contrabaixista. tudo o que ele cala. tudo o que tenta dizer e não consegue (tudo o que diz porque não consegue). escuta. na orla do silêncio que vibra, corda a corda percutida, a minha vida.
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[jorge roque & guilherme faria_contrabaixista in broto sofro]
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bo-ni-to!
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+..+.. +..+
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